
Existem três formas básicas de participar na publicação e circulação de conteúdos na rede:
Estas três formas de participação são diferentes, embora as fronteiras entre elas nem sempre sejam claras. Uma mesma publicação pode, por exemplo, combinar criação original com curadoria de conteúdos de outras fontes.
A criação acontece quando produzes e publicas conteúdos num espaço digital que geres, como um blogue (Blogger, WordPress), um sítio Web (Google Sites, Wix), um canal de vídeo (YouTube) ou um perfil numa rede social (Instagram, Facebook, Pinterest, entre outras).
És responsável pelos conteúdos que publicas e, dentro das possibilidades oferecidas pela plataforma, podes decidir o que publicar, editar ou apagar, bem como gerir os comentários e as interações com outras pessoas. No entanto, teres um espaço próprio não significa que controles todos os aspetos da publicação: a plataforma estabelece regras e pode limitar a tua capacidade de gerir ou eliminar conteúdos.
A agregação, neste contexto, corresponde à participação num espaço digital gerido por outra pessoa ou instituição. Acontece, por exemplo, quando comentas uma fotografia publicada por um amigo, escreves uma mensagem num blogue, participas num fórum ou reages a uma publicação de outra pessoa.
Nestes casos, contribuis para a atividade e para as interações desse espaço, mas não és quem controla a publicação original nem o local onde ela está alojada.
A curadoria digital consiste em selecionar, organizar e partilhar conteúdos que consideras relevantes para determinado público ou finalidade.
Quando partilhas uma publicação nas redes sociais, reencaminhas uma mensagem no WhatsApp ou envias a alguém uma ligação para um artigo, estás a fazer circular um conteúdo que foi produzido por outra pessoa. Podes simplesmente partilhá-lo ou acrescentar um comentário que explique por que razão o consideras importante.
A curadoria não se limita, portanto, a reenviar conteúdos: implica também escolher o que merece ser divulgado, avaliar a sua qualidade e, sempre que possível, contextualizar a partilha.
A expressão Web 2.0 popularizou-se para descrever a evolução da Web para formas de participação mais interativas e colaborativas. Nos primeiros tempos, muitos sítios limitavam-se a apresentar informação para consulta. Com a expansão dos blogues, das redes sociais, das plataformas de partilha e das ferramentas colaborativas, tornou-se muito mais fácil criar, comentar e divulgar conteúdos.
A expressão Web 2.0 não correspondeu, contudo, a uma atualização única do software nem a uma transformação técnica isolada. Designa sobretudo uma mudança nas formas de utilização da Web, que passou a permitir uma participação mais ativa dos utilizadores.
Hoje, é muito fácil partilhar um conteúdo encontrado na rede. Criar uma publicação original pode exigir mais tempo, pesquisa e esforço. Por isso, muitas pessoas partilham mais conteúdos de terceiros do que produzem conteúdos próprios.
As escolhas que fazemos ao partilhar também contribuem para a nossa identidade digital: os conteúdos que divulgamos, as fontes que valorizamos e os comentários que acrescentamos ajudam a construir a imagem que os outros formam de nós.
É, por isso, importante pensar antes de partilhar.
Vê o vídeo do filósofo Mario Sergio Cortella:
«A Era da Curadoria: O que Importa é Saber o que Importa»
Antes de partilhares uma publicação, tem em atenção os seguintes aspetos:
Verifica a qualidade e a fiabilidade. Procura saber quem produziu o conteúdo, em que fontes se baseia e se a informação pode ser confirmada. Dá preferência a fontes credíveis, como instituições oficiais, publicações jornalísticas reconhecidas e fontes científicas adequadas ao tema. Desconfia de títulos sensacionalistas, informações sem provas e conteúdos que procuram apenas provocar uma reação emocional.
Respeita os outros. Não contribuas para a divulgação de mensagens racistas, misóginas, homofóbicas, discriminatórias ou difamatórias. A liberdade de expressão não elimina a responsabilidade pelas consequências do que publicamos e partilhamos.
Distingue o público do privado. Uma fotografia, uma conversa ou uma mensagem partilhada num contexto privado não deve ser divulgada sem autorização. O facto de alguém ser uma figura pública não significa que todos os aspetos da sua vida possam ser expostos ou ridicularizados.
Escolhe cuidadosamente os destinatários. Antes de partilhares, verifica quem poderá ver o conteúdo. Algumas plataformas permitem limitar a audiência; noutras, as publicações podem ser públicas ou facilmente retransmitidas. Mesmo uma partilha destinada a um grupo restrito pode chegar a outras pessoas.
Define os teus interesses. Podes privilegiar temas como cultura, desporto, ciência, política, música, cinema ou banda desenhada. Selecionar conteúdos de acordo com os teus interesses ajuda a dar coerência ao que partilhas, mas procura também fontes e perspetivas diferentes.
Partilha com propósito. Não precisas de publicar apenas para manter a atividade do teu perfil. Partilha quando tiveres algo relevante para comunicar. Se publicares regularmente, procura que cada conteúdo tenha interesse e valor para quem te acompanha.
Pensa antes de publicar. Apagar uma publicação não garante que desapareça definitivamente: alguém pode ter guardado uma cópia, feito uma captura de ecrã ou reencaminhado o conteúdo. Antes de partilhares, pensa na privacidade, na segurança e nas possíveis consequências da divulgação.

Existem diferentes conceitos para descrever as formas como as pessoas utilizam os espaços digitais.
Estas categorias são modelos de interpretação, não classificações rígidas. Uma pessoa pode ser visitante num serviço e residente noutro, dependendo dos seus interesses e hábitos.
Também se utiliza o termo inglês lurker para designar quem acompanha uma comunidade ou fórum, lê as publicações e observa as conversas, mas raramente participa de forma visível. Essa participação não é necessariamente negativa: observar e aprender também são formas de envolvimento.
Pensa na tua experiência:
Nos primeiros anos da Web, a publicação de conteúdos exigia frequentemente conhecimentos técnicos e recursos que nem todos possuíam. Muitos utilizadores limitavam-se a consultar páginas, ler textos, ouvir ficheiros áudio ou ver vídeos.
Atualmente, existem ferramentas acessíveis que permitem criar e publicar conteúdos com facilidade. Podemos escrever num blogue, produzir um vídeo, participar num fórum, colaborar num documento ou partilhar uma ideia nas redes sociais.
Por isso, muitas vezes somos simultaneamente consumidores e produtores de conteúdos. Para descrever esta combinação, utiliza-se a palavra prossumidores, resultante da junção dos termos produtores e consumidores.
Ser prossumidor não significa apenas publicar muito. Significa participar ativamente no ecossistema digital, consumindo informação, produzindo conteúdos e contribuindo para a circulação de ideias. Essa participação exige criatividade, sentido crítico e responsabilidade.
Todos nós consumimos e produzimos conteúdos em simultâneo. Somos “prosumidores” (produtores e consumidores).

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