
As empresas de comunicação social procuram captar e manter a atenção das audiências. Quanto mais pessoas consomem os seus conteúdos e quanto mais tempo lhes dedicam, maior pode ser o seu potencial para gerar receitas através da publicidade, das assinaturas e de outros serviços. A atenção do público tornou-se, por isso, um recurso económico importante.
Para chegarem às audiências, os meios de comunicação social procuram estar presentes em diferentes plataformas e formatos: televisão, rádio, jornais impressos, sites, aplicações móveis, redes sociais, podcasts, vídeos e newsletters. Esta transformação permite chegar a públicos diferentes, mas também coloca novos desafios à sustentabilidade económica do jornalismo.
Imagem: Os conteúdos mediáticos circulam entre diferentes dispositivos, serviços e plataformas digitais.
O consumo de conteúdos tornou-se mais flexível e diversificado. Podemos ler uma notícia num site, receber um alerta no telemóvel, ver um vídeo numa rede social ou ouvir um podcast durante uma deslocação. Os mesmos conteúdos podem ser adaptados a diferentes plataformas, dispositivos e momentos do dia.
Em Portugal, porém, os meios tradicionais continuam a ter um papel importante. De acordo com o Digital News Report Portugal 2026, 71% dos inquiridos utilizaram a televisão para aceder a notícias na semana anterior e 59% identificaram-na como a sua principal fonte de informação noticiosa. Ao mesmo tempo, as redes sociais, os motores de pesquisa e os agregadores digitais assumem um papel relevante na descoberta e na circulação de notícias.
O estudo evidencia também diferenças geracionais. Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, as redes sociais e os conteúdos digitais têm um peso particularmente importante no acesso à informação. No consumo de notícias através de redes sociais, o Instagram surge à frente do Facebook e do TikTok neste grupo etário.
Estes dados mostram que não existe uma única forma de consumir notícias. Os hábitos variam com a idade, os interesses, os dispositivos utilizados e as rotinas de cada pessoa.
Fonte: Digital News Report Portugal 2026 — OberCom.

As redes sociais e os motores de pesquisa não são, em regra, os principais produtores das notícias que apresentam. Funcionam frequentemente como intermediários entre os produtores de conteúdos e as audiências.
Quando uma organização jornalística publica uma notícia no seu site, essa notícia pode chegar ao público através de uma ligação partilhada numa rede social, de um resultado de pesquisa, de uma notificação ou de um serviço de agregação de notícias.
Este papel de distribuição confere às plataformas uma influência significativa. As suas decisões sobre a apresentação, a ordenação e a recomendação dos conteúdos podem afetar a visibilidade das notícias e o número de pessoas que chegam aos sites dos órgãos de comunicação social.
As plataformas obtêm receitas através de diferentes modelos de negócio, entre os quais se destaca a publicidade. Para a tornar mais relevante para os anunciantes, podem utilizar dados sobre a utilização dos serviços e as interações dos utilizadores, nos termos permitidos pela legislação aplicável.
Há, por isso, uma diferença importante entre produzir informação jornalística e controlar uma parte dos canais através dos quais essa informação chega ao público.
As plataformas digitais utilizam sistemas automatizados para selecionar, ordenar e recomendar conteúdos. Estes sistemas podem ter em conta vários sinais, como as interações anteriores, as contas seguidas, a popularidade de uma publicação, a atualidade do conteúdo e os objetivos definidos pelo serviço.
Os critérios concretos variam entre plataformas e podem mudar ao longo do tempo. Nem sempre são inteiramente transparentes para os utilizadores.
O conteúdo que aparece no nosso ecrã não corresponde necessariamente a tudo o que está disponível, nem apenas àquilo de que gostamos. Resulta também das escolhas feitas pelo sistema de recomendação e das regras definidas pela plataforma.
Por exemplo, duas pessoas podem procurar informação sobre o mesmo tema e receber resultados ou recomendações diferentes. Isso não significa necessariamente que uma delas tenha sido deliberadamente enganada: os sistemas podem estar a responder a diferentes sinais, históricos de utilização ou critérios de ordenação.
No entanto, a personalização pode limitar a diversidade de perspetivas a que estamos expostos, sobretudo quando consultamos repetidamente os mesmos tipos de conteúdos ou dependemos de uma única plataforma para nos informarmos.
Por isso, é importante não confundir a informação que uma plataforma nos recomenda com a totalidade da informação disponível ou com uma representação equilibrada dos acontecimentos.
Os dados pessoais e os sinais de utilização podem ajudar as empresas a compreender o comportamento das suas audiências e a personalizar os serviços e a publicidade. Entre os dados envolvidos podem estar:
Nem todos os serviços recolhem os mesmos dados, nem os utilizam para os mesmos fins. A recolha e a utilização dependem das funcionalidades, das configurações, das permissões concedidas e das condições legais aplicáveis.
Os dados podem ajudar a personalizar a experiência de utilização, mas também constituem um recurso económico. Quanto melhor uma empresa conseguir compreender determinados comportamentos e apresentar publicidade a públicos específicos, maior poderá ser o valor comercial dos seus serviços publicitários.
É neste contexto que a atenção e os dados das audiências assumem importância na concorrência entre as grandes plataformas digitais e as organizações que produzem conteúdos jornalísticos.
A produção de jornalismo exige recursos: jornalistas, editores, deslocações, investigação, equipamentos, tecnologia e tempo para confirmar informações. A distribuição digital pode ampliar o alcance das notícias, mas não garante, por si só, receitas suficientes para financiar esse trabalho.
Quando uma notícia é partilhada numa plataforma, podem beneficiar diferentes intervenientes. O órgão de comunicação social pode alcançar novos leitores; a plataforma pode aumentar o tempo de utilização do serviço e vender publicidade; e o público pode aceder à informação de forma rápida e conveniente.
Contudo, a distribuição de conteúdos e a sua remuneração não são a mesma coisa. Um órgão de comunicação social pode obter visitas a partir de uma plataforma sem receber diretamente por cada visualização ou partilha.
Os modelos de negócio variam: alguns meios dependem sobretudo da publicidade, outros combinam publicidade e assinaturas, e outros recorrem também a donativos, apoios públicos, eventos ou serviços especializados.
A sustentabilidade económica do jornalismo constitui, assim, um desafio central. Se os órgãos de comunicação social não conseguirem financiar a produção de informação rigorosa e independente, a qualidade e a diversidade da informação disponível podem ficar comprometidas.
Na União Europeia, a atividade das plataformas digitais e o tratamento dos dados pessoais estão sujeitos a diferentes regras. Entre as mais importantes encontram-se:
Estas normas não significam que todas as empresas tenham exatamente as mesmas obrigações. As regras aplicáveis dependem do tipo de serviço, da dimensão da empresa, da atividade realizada e das circunstâncias concretas.
Também não significam que os dados pessoais só possam ser utilizados com consentimento em todas as situações. O RGPD prevê diferentes fundamentos legais para o tratamento de dados, e os direitos dos utilizadores dependem do contexto.
O objetivo destas regras é estabelecer limites e responsabilidades num ambiente digital em que os dados, os conteúdos e os serviços atravessam fronteiras.

Sempre que utilizas um serviço digital, podes deixar registos das tuas atividades. A este conjunto de vestígios chama-se pegada digital.
Alguns dados são fornecidos diretamente por ti. Outros são gerados quando navegas, pesquisas, vês vídeos, interages com publicações ou utilizas determinadas funcionalidades. A partir destes registos, alguns serviços conseguem produzir inferências sobre os teus interesses e comportamentos.
Por isso, quando consomes conteúdos em linha, não estás apenas a receber informação: também podes estar a fornecer dados sobre a tua utilização dos serviços.
Isto não significa que todas as plataformas recolham tudo o que fazes ou que todas tenham acesso aos mesmos dados. É importante conhecer as configurações de privacidade, as permissões concedidas e as informações que cada serviço disponibiliza sobre as suas práticas.
Antes de utilizares um serviço, pergunta:
Uma dieta mediática corresponde ao conjunto de conteúdos e fontes de informação que consultamos, aos formatos que utilizamos e ao tempo que dedicamos ao seu consumo.
Tal como uma alimentação variada pode contribuir para uma dieta equilibrada, o contacto com diferentes fontes informativas pode ajudar-te a conhecer perspetivas distintas e a evitar uma dependência excessiva de uma única plataforma.
Para construíres uma dieta mediática mais consciente:
Diversifica as fontes: consulta diferentes órgãos de comunicação social e distingue fontes jornalísticas de publicações pessoais, publicidade e conteúdos de entretenimento.
Vai à origem: quando descobrires uma notícia numa rede social, procura, sempre que possível, a publicação original e as fontes utilizadas.
Compara perspetivas: verifica como diferentes meios apresentam o mesmo acontecimento e identifica os factos comuns e as diferenças de enquadramento.
Controla as recomendações: revê as contas que segues, as notificações e as opções de personalização disponíveis.
Protege os teus dados: verifica as permissões das aplicações e utiliza as definições de privacidade de forma consciente.
Escolhe quando e como te informas: reserva momentos para consultar notícias, em vez de depender exclusivamente dos conteúdos que aparecem no ecrã.
No mundo digital, não basta escolher o que queremos ler ou ver. É também importante compreender quem produz os conteúdos, quem os distribui, como são recomendados e que dados deixamos pelo caminho.
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