Foto de crianças na Faixa de Gaza inspirou vencedor da primeira edição do ano letivo 

[28.11.2025]
 
Fotografia do Xavier
“Aquelas crianças não têm nada, mas sorriem — porque têm esperança.”, lembra o aluno do 11º ano.
 
 

A felicidade é relativa

No passado dia 15 de outubro, Cláudia Lobo publicou um artigo no PÚBLICO intitulado «As bombas deixaram de cair em Gaza». O artigo aborda o facto de ter sido assinado um acordo de cessar-fogo entre o primeiro-ministro de Israel e o Hamas, mostrando-se como uma luz ao fundo do túnel para o povo de Gaza.

 O que me despertou a atenção nesta notícia foi a imagem da sua capa, de Dawoud Abu Alkas/REUTERS, cuja legenda é «Crianças na Faixa de Gaza, depois de se saber do cessar-fogo». É impossível ficar indiferente perante a imagem de dois rapazes a sorrir no meio de destroços, à beira de uma tenda onde provavelmente viveriam. O cenário envolvente é chocante e as ruas refletem o sofrimento levado a cabo naquele lugar.

 No entanto, estas crianças sorriem. Sorriem abertamente como se vissem, pela primeira vez em dois anos, um futuro na sua vida. O seu sorriso puro e inocente contrasta com os tons de cinzento que à sua volta se desenham, num dia em que o sol lhes quis também sorrir de volta. É arrepiante olhar para estes meninos e saber que eles estão tão felizes por causa do fim de uma guerra. Naquela idade, a minha maior felicidade era receber um brinquedo novo no meu aniversário.

Isto mostra que a felicidade é relativa. Aquelas crianças não têm nada, mas sorriem — porque têm esperança. Estão contentes porque a guerra chegou ao fim, porque o futuro lhes parece mais brilhante, tal como o sol daquele dia. Uma criança numa região em paz não sabe a sorte que tem por não ter de se preocupar com assuntos como guerras, fome e doenças. Quer apenas brincar e divertir-se. Porém, para estas crianças, não ter de sofrer diariamente já é uma alegria enorme.

Só espero que estes meninos da fotografia tenham um futuro melhor, que os seus filhos não tenham de se contentar com o fim de uma guerra e que possam ser felizes a fazer outras coisas — coisas próprias de crianças, que estas não puderam fazer.

É só isso que eu peço.

Miguel Xavier Saraiva Almeida, 11.º ano,
Agrupamento de Escolas Soares Basto, Oliveira de Azeméis
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