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Rudolfo Quintas

Artista visual português com uma prática de arte computacional que investiga a intersecção entre cultura e tecnologia.

Na década de 2000, num contexto de transição entre o analógico e o digital e de emergência da internet como novo espaço de presença, o seu trabalho começou por investigar como as tecnologias moldam o gesto, a perceção e a experiência do corpo, procurando alternativas à sua alienação na cultura digital. Explorou a presença corporal e a liberdade gestual em ambientes computacionais imersivos, afirmando-o como interface sensível e campo de emancipação. Posteriormente, expandiu a sua investigação para problematizar a cultura algorítmica e a inteligência artificial, interrogando os seus efeitos na saúde mental, na democracia e na subjetividade contemporânea, expondo as estruturas invisíveis que moldam a perceção coletiva e a experiência individual através de dispositivos generativos baseados em dados, materializados em data-paintings, esculturas híbridas e instalações algorítmicas.

A sua prática assenta numa abordagem arte-ciência que integra diferentes campos do conhecimento e envolve participantes na construção dos próprios sistemas, fazendo do processo criativo um espaço de investigação partilhada. Projetos como SWAP (2005), performance pioneira de realidade aumentada no cruzamento entre dança e imagem digital; Darkless (2014–), instalação desenvolvida em colaboração com pessoas cegas que reconfigura a imagem mental do corpo através do som; ou Sentiment Data Paintings (2017–2024), que expõe os efeitos da sobrecarga informacional e os vieses da inteligência artificial, inscrevem-se nesta investigação continuada sobre as tensões entre corpo, perceção e mediação algorítmica.

O seu trabalho tem sido distinguido com vários prémios nacionais e internacionais, como o 1.º Prémio Norberto Fernandes (2024) da Fundação Altice, a distinção da European Alliance for Innovation (2022), o Transmediale Distinction Award (2009), o 1.º Prémio Inter.faces (2005) ou a nomeação para o Sonae Media Art Award (2019).

Expôs em instituições e festivais de referência como o KIASMA – Museu de Arte Contemporânea de Helsínquia, CTM/Transmediale (Berlim), Sónar+D (Barcelona), Today’s Art (Haia), Santral Istanbul (Istambul), La Casa Encendida (Madrid), Fundació “La Caixa” (Barcelona), Royal College of Art (Londres), Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo (Nápoles), ARCO Lisboa, MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea, CAAA, Carpintarias de São Lázaro ou Galeria Foco.

A sua obra encontra-se publicada em edições como Younger Than Jesus: Artist Directory (New Museum / Phaidon Press) e na revista Leonardo da MIT Press (2024), integrando ainda diversas coleções públicas e privadas.

Colaborou com instituições científicas e académicas como a Harvard Medical School, a Fundação Champalimaud, o Royal College of Art e o Ministério da Ciência e Tecnologia em projetos transdisciplinares que cruzam arte, ciência e tecnologia, participando regularmente em debates públicos sobre o impacto da inteligência artificial na cultura contemporânea.

O seu trabalho orienta-se hoje para a criação de dispositivos computacionais que emergem de experiências afetivas partilhadas em processos criativos, ensaiando futuros onde a experiência estética se afirma como espaço crítico face à mediação algorítmica.

 

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