por Teresa Franco, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas das Olaias, Lisboa
[03.11.2026]Em setembro de 2010 disseram-me que passaria a ser professora bibliotecária. Eu? Eu, que não era leitora. Eu, que tinha vergonha de ler em voz alta. Eu, que pouco sabia sobre bibliotecas e não tinha conhecimento sobre o trabalho de um bibliotecário. Não era uma frequentadora de bibliotecas. A dislexia, não diagnosticada nos anos 80, fez-me crescer a acreditar que não era boa com palavras: nem com a escrita, nem com a leitura. E, de repente, tinha nas mãos uma biblioteca escolar acabada de nascer, entregue à minha responsabilidade.
Felizmente, não estive sozinha. Tive ao meu lado a professora Margarida Albuquerque, que me guiou com generosidade, mostrando-me caminhos, ensinando-me o que eu desconhecia e dando-me confiança, sempre que eu vacilava.
Ano após ano, a biblioteca foi ficando dentro de mim. Aprendi tudo desde o princípio, até o gosto de ler. O medo de ler em público transformou-se em prazer. O desconhecimento dos livros deu lugar à curiosidade diária.
Já perdi a conta às sessões de leitura que realizei, aos livros que cataloguei e aos leitores que ajudei a formar. Porque criar leitores é, acima de tudo, um trabalho de amor.
Estamos em 2026. Sou a responsável pelas quatro bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas das Olaias. Continuo a tentar chegar a todos os alunos, dos 3 aos 18 anos, como as Bibliotecas Itinerantes fazem ao ir ao encontro das pessoas. A Biblioteca Escolar já não é só o lugar para requisitar livros. É um espaço de partilha, de escuta, de diversão e até de costura. Ao longo destes anos, tenho tentado levar os alunos a ter experiências novas, porque acredito que a diversidade é uma riqueza. Entre livros, linhas, pincéis, papéis, barro, máquina de costura, máquina de escrever… tenho proporcionado momentos diferentes da rotina do quotidiano, que eu espero que ajudem a estimular a curiosidade de saber mais e por isso ler mais. Uma biblioteca não é apenas um lugar de livros: é um lugar onde vidas podem mudar, como mudou a minha.
por Teresa Franco, professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas das Olaias, Lisboa
Um espaço de reflexão, (in)formação e partilha sobre bibliotecas escolares, leitura e literacias.
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