Vários estudos demonstram que a IA distorce a História e, fá-lo principalmente, quando esta está escrita em idiomas minoritariamente representadas na internet (viés anglocêntrico da IA).
Um desses estudos foi desenvolvidos por um grupo internacional de historiadores e investigadores - entre os quais, os portugueses Nuno Moniz e Miguel Cardina - que analisou a forma como o ChatGPT responde acerca de quatro conflitos internacionais da História.
De acordo com as suas conclusões:
“A sua utilização [de Large Language Models baseado em IA] generalizada, especialmente na educação, levanta sérias preocupações sobre a fiabilidade da informação apresentada. (…) As descobertas revelam problemas sistemáticos, como conteúdo fabricado, distorções cronológicas, viés devido à Influência da língua prevalente nos dados de treino e vulnerabilidades ao nível da manipulação do conteúdo apresentado”.
Verificaram que a inteligência artificial inventou batalhas, citou documentários que nunca existiram, trocou datas e fez interpretações falsas e que estes problemas do ChaGPT eram estruturais, resultando do funcionamento da máquina. que dispõe de menor número de dados de qualidade.
Esta distorção, quando repetida numa escala global, influencia o que é considerado a verdade e pode, a médio prazo, modificar a memória histórica e o passado. Quanto tempo demorará a sentir-se os efeitos desta prática, é uma questão que os investigadores deixam em aberto.
Por outro lado, a IA tende a simplificar a informação e, esta tendência, pode eliminar aspetos importantes de contexto e de perspetivas críticas da História e de outras disciplinas.
Estes investigadores afirmam a necessidade de ações urgentes, ao nível dos governos e do Parlamento Europeu, apelam ao uso responsável de IA e apresentam recomendações, entre as quais, “o desenvolvimento de recursos de formação profissional para educadores do ensino básico e secundário sobre IA e as suas ferramentas, e garantir a sua integração em programas de formação inicial de professores”.
Agrava esta deturpação da História e das notícias a estrutura dos sistemas de escrita da direita para a esquerda, como o árabe e de ideogramas, como o chinês e a imprecisão da digitalização.
Para minimizar esta tendência, a escola e a biblioteca escolar deve promover o ensino da História e da literacia da informação e de IA (incluindo direitos de autor). Consumidores de IA sem um conhecimento fundamental dos factos históricos têm mais dificuldade em usar a IA criticamente porque as respostas de IA são fechadas e apresentadas como a única resposta possível, quando afinal correspondem a uma previsão de sequência de palavras não validada cientificamente.
Devem ainda investir:
Este é o quinto de uma série de 5 artigos escritos no âmbito da participação da Rede de Bibliotecas Escolares no painel "Diversidade na Escola: que desafios e oportunidades?" do Seminário "(Re)Pensar a Escola: uma arte, um desafio, uma oportunidade" do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Cerveira, de 9 setembro de 2026.