Recentemente, quando se coloca uma pergunta no motor de busca Google, ou quando se abre um documento, por exemplo na extensão PDF, surge:
A pesquisa na internet passou a ser centrada na IA, que se apresenta como “dona e senhora da verdade” (Descartes). A IA oferece ao utilizador/consumidor a ilusão de que há uma resposta única e simples para questões e problemas complexos, que têm diferentes interpretações e perspetivas críticas. Neste processo, há todo um universo de exploração próprio, especificamente humano, que pode desaparecer e, a médio prazo, reduzir a diversidade de pensamento e da criatividade humana.
Por outro lado, dantes víamos quem aparecia no topo da página como patrocinado e, agora, a resposta automática não o indica, apesar de sabermos que as empresas de tecnologias dão maior visibilidade às fontes das quais retiram maior lucro.
Perante este desafio da mudança silenciosa de motores de busca e de ferramentas digitais em assistentes personalizados de IA - que ocorre de forma silenciosa - que soluções deve a escola e os professores bibliotecários pôr em prática?
No âmbito da leitura e da literacia digital, da informação e media, deve:
Estes são exemplos de práticas que exigem a ação sistemática da escola e da biblioteca escolar e que colocam o aluno no centro.
Aderir à resposta ou ao convite de IA, aumentaria a passividade intelectual, o plágio e a violação de direitos de autor, a desumanização e estagnaria o conhecimento e a cultura, prevendo-se, a médio prazo, que a IA deixe de ter respostas humanas em que se basear.
É importante que a escola e a biblioteca escolar adotem uma posição de abertura e de resistência, incentivando a ação de ir além do que a IA disponibiliza de modo autoconfiante e sedutor.
Sempre que se limita o pensamento e a imaginação do ser humano, este torna-se mais fácil de manipular, perde oportunidades e participa menos na vida democrática, prejudicando toda a sociedade.
Este é o segundo de uma série de 5 artigos escritos no âmbito da participação da Rede de Bibliotecas Escolares no painel "Diversidade na Escola: que desafios e oportunidades?" do Seminário "(Re)Pensar a Escola: uma arte, um desafio, uma oportunidade" do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Cerveira, de 9 setembro de 2026.